quarta-feira, 15 de Novembro de 2006

À Imagem e semelhança

- Há algum tempo atrás, estava a ver TV e vi uma reportagem sobre Realidade Virtual, onde se via um computador ligado através de um cabo grosso a um capacete de uma pessoa, sendo que esse capacete tinha uns óculos especiais onde a pessoa poderia ver o filme que o computador, em tempo real, estaria a gerar.
A pessoa tinha uma luva especial, ligada também ao computador, com sensores, que vão transmitindo os movimentos ao computador para que ele em tempo real possa alterar o mdeloe e processar a informação.

A pessoa está-se vendo a jogar ténis. Vê nos seus óculos especiais, uma bola amarela de ténis, e está vendo que tem na mão uma raquete. Movimentando o braço da luva, desloca a raquete e toca na bola, sentindo na mão o impacto da bola na raquete.

Tudo isso é processado em tempo real e a pessoa vivencia a experiência como se estivesse a passar por ela, embora esta esteja sendo gerada artificialmente por um modelo "inteligente" que muda o contexto em função do que está a acontecer.

- Há computadores biológicos, em que o 0 e 1 são processados através de átomos de hidrogénio

- Já é possível gerar e manipular tecidos humanos

- No Japão foi desenvolvido, não apenas uma luva, mas um fato completo em que a pessoa pode sentir múltiplas sensações em todo o corpo

- Na Internet há sites em que nós podemos interagir uns com os outros, utilizando representações que podem não corresponder a quem realmente somos.

- Hoje com o Wi-Fi podemos aceder a servidores na Internet ou em redes privadas, sem necessidade de fios e cabos. Prevê-se que no próximo ano haverá antenas com capacidade de terem um alcançe com um raio de 70 Km. Ou seja, hoje acedemos a informação e comunicamos com outros computadores à distância, sem necessidade de fios a ligá-los.

- Veja-se o que já se pode fazer com telemóveis e PDA's.

- A humanidade tem dados saltos no conhecimento, em determinados momentos, e através de determinadas pessoas, mas parece que tal tem acontecido no momento certo. Parece que o conhecimento é dado a conta-gotas.

Comecei a pensar no que poderá ser possível, se continuarmos a evoluir ao ritmo actual, dentro de 1 milhão de anos .... E se acharmos pouco, imaginemos 10 milhões de anos ...

- Onde estaremos no mundo do software, da Inteligência Artificial, do processamento em paralelo, etc.?

- Que modelos e que capacidade de processamento teremos disponível para que modelos dinâmicos possam tratar em tempo real informação proveniente de múltiplos sensores, de vários "seres" interagindo dinamicamente e comunicando os resultados sem necessidade de cabos?

- Será que o nível de miniaturização, não permitirá ter óculos mais pequenos e mais inteligentes, a quem poderemos chamar "olhos"?

- Será que ao fato completo com sensores, não poderemos chamar "pele"?

- Será que em vez de vermos apenas a bola, não podemos ver outras coisas, tais como casas, veículos, pessoas, etc?

- Será que esse software não poderá tratar as múltiplas interações entre os "seres", aprendendo cada um com essas interações e reagindo em conformidade com o que está a acontecer no software "privado" de cada um e no ambiente em que está inserido?

- Será que cada "ser" não poderá gravar conteúdos, aceder a eles em tempo real sempre que necessite, alterando o que for necessário, em função do que pensa, das interações que tem com o meio e com os outros, ficando com maior capacidade e aprendendo continuamente?

- Será que não podemos definir um limite de vida no modelo, para que cada um possa "morrer"?

- Será que não poderemos permitir que cada "ser" possa escolher o que quer fazer, em cada momento, dando-lhe a possibilidade, e a todo o modelo, de aprender e evoluir, fazendo bem ou cometendo erros?

- Será que não poderemos definir no modelo, que se um dado "ser" acreditar até um determinado nível de crença nada acontece, mas se passar esse limite e ele querer muito que a bola passe de amarela a verde, o modelo possa mudar a cor da bola de amarela para verde, e ele passa a vê-la como verde? - hoje chamamos a isto um Milagre.

- Será que os "seres" não comunicam uns com os outros, sem fios, em tempo real, podendo trabalhar em conjunto para resolver problemas, encontrar soluções, etc. ? - hoje chamamos a isso Master Mind.

Nesta minha reflexão, continuando por aí fora, comecei a pensar na frase bíblica do Génesis, onde é dito que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus.
Se calhar já o somos e ainda não demos por ela.
E se atingirmos um tal nível de conhecimento que possamos nos destruir completamente?
Isso é possível.

Mas se você fizesse o modelo, deixava esse erro no software, ou deixava lá a condição para que quando tal estivesse em vias de acontecer, tal não ser possível, "por milagre" se necessário?

Sou um optimista e acredito que teremos de evoluir como seres humanos até ao nível em que o conhecimento nos vai sendo disponibilizado, de modo a permitir que possamos também ser deuses.